Conheça o Salto Angel, a maior cachoeira do mundo!

Há algum tempo estive em um dos lugares que mais despertava minha curiosidade: o Salto Angel, a maior cachoeira do mundo!

Conhecer esse lugar era um sonho de anos, que sempre era aguçado com filmes, documentários e finalmente o filme de animação Up – Altas Aventuras, em que o Sr. Carl apresentou ao mundo o “paraíso das cachoeiras”!

Aqui está o meu relato de uma das viagens mais mágicas que fiz!

Chegando lá…

Para chegar no Salto Angel o caminho é longo. Seja pelo norte, via Caracas, a capital que recebe voos do Brasil, ou pelo sul, via Santa Elena de Uairén, que traz os brasileiros de Roraima, o destino é o mesmo: Ciudad Bolívar. Como bem mostra o nome, é mais uma homenagem ao libertador nacional, que acontece quase a cada esquina da cidade.

Nas áreas mais turísticas, como o centro histórico e a região onde estão as construções e palácios do governo, tudo é muito bem preservado, pintado e limpo: casinhas coloridas que lembram a nossa Paraty (RJ), calçamento de séculos passados mantido e policiamento alerta até a beira do grande rio Orinoco. No restante da cidade, assim como em muitas outras regiões do país, fica visível o descuido das autoridades com os patrimônios culturais.

Prédios do governo em Ciudad Bolívar na Venezuela
Prédios do governo em Ciudad Bolívar na Venezuela
Um pouco de Ciudad Bolívar
Um pouco de Ciudad Bolívar

De Ciudad Bolívar, a aventura realmente começa. Lá é preciso pegar uma avioneta que leva até o Parque Nacional Canaima. Na pista do pequeno aeroporto, o próprio piloto é quem ajuda os passageiros a acomodarem e empilharem suas bagagens atrás do último assento. E assim os seis ocupantes embarcam.

Avião da cia. Transmandu que faz o trajeto Ciudad Bolívar / Canaima
Avião da cia. Transmandu que faz o trajeto Ciudad Bolívar / Canaima

O pequeno bimotor de aparência frágil descola do chão na metade da pista, com a portinha do comandante entreaberta, segurada por ele para ventilar a aeronave. Os pedaços de jornal amarelado colados no vidro da frente são usados como para-sol e o GPS de orientação é o próprio celular do dono do manche. Só é possível deixar de reparar nesses detalhes e ficar mais tranquilo quando a paisagem muda do cinza ao verde e os rios, lagos e quedas d’água aparecem nas pequenas janelinhas do jato.

Emoção a bordo da Trasmandu a caminho de Canaima
Emoção a bordo da Trasmandu a caminho de Canaima

A viagem leva aproximadamente uma hora e meia. Do alto, é possível ver uma grande lagoa com duas lindas e volumosas cachoeiras, ao lado de um vilarejo. É o povoado de Canaima, que empresta o nome à lagoa e recebe as águas do rio Carrao pelos saltos Hacha, Wadaima, Golondrina, Ucaima, Sapo e Sapito. A pequena pista de pouso se aproxima rapidamente após uma curva ousada do nosso bólido e enfim volta-se a sentir a terra firme.

Chegando em Canaima
Chegando em Canaima

Um passeio tranquilo pelas ruas desse simpático vilarejo revela tranquilidade e um povo trabalhador. Exceto por um hotel mais pomposo que se estabeleceu por lá e recebe endinheirados que chegam com seus aviões particulares, as acomodações são simples e a cidade, que conta com uma escola para as crianças e outra para os jovens, tem apenas dois mercadinhos e uma igreja. O resto é verde.

Os dois mil descendentes de índios Pemones que ali vivem dependem do turismo e cuidam de tudo, alternando-se entre várias atividades. Quem faz o receptivo no aeroporto é Juan, menino com ar de adulto e corpo de comilão, que também atua como guia e timoneiro. Estudou na única escola para jovens que existe ali e gosta de trabalhar com os turistas. Sua dupla, o cozinheiro de mão cheia Alex, comanda o barco. Ele é respeitado em toda a comunidade, afinal, é o pajé de Canaima.

Rumo ao Salto Angel

Após o café da manhã, é hora de preparar a bagagem. Seguindo as recomendações dos guias locais, somente itens de extrema necessidade são separados. O ideal é levar apenas uma pequena mochila, de preferência impermeável, com utensílios de higiene e uma roupa mais quente, já que a noite será passada em um acampamento no meio da selva venezuelana.

O caminhão adaptado leva os visitantes até a parte mais tranquila do rio, antes das quedas, acima da lagoa, para embarcarem nas canoas. Após meia hora subindo contra o fluxo das águas, os turistas desembarcam e seguem por uma trilha aberta, enquanto a canoa passa por um trecho complicado, com rio estreito e muita correnteza.

Viajantes caminhando na trilha
Viajantes caminhando na trilha

Todos reembarcam para mais duas horas e meia de subida pelo rio. Apesar de cansativa, a viagem não é tediosa, pois a paisagem surpreende. Aos poucos, a mata rasteira dá lugar aos grandes tepuis (acidente geográfico com uma área elevada de solo com um topo plano) e, em alguns momentos, a impressão é de que se está em um grande corredor pré-histórico.

Voadeira corta o rio Carrao...
Voadeira corta o rio Carrao…

A canoa estreita e com pintura gasta rasga rio acima. Virou voadeira por conta do forte motor que a move. Sentado à frente, segue um jovem , direcionando o barqueiro com sinais manuais. Na popa, ele fica atento a tudo e movimenta a embarcação com agilidade, desviando das rochas mais traiçoeiras que colocam suas cabeças pra fora da água. Entre eles, eu, junto com viajantes de diversas partes do mundo, sentados de dois em dois nos estreitos banquinhos, observam a água cor de chá e a mata verde passando em velocidade.

Surgem as primeiras quedas d’água, que brotam do alto dos paredões e novamente me lembram o desenho animado que virou referência a todos os viajantes do grupo.

Tepuis do Paraíso das cachoeiras
Tepuis do Paraíso das cachoeiras

Após uma grande curva, surge Auyantepuy, um dos maiores tepuis do Parque Nacional de Canaima, que começa a revelar o motivo de todo o esforço: o Salto Angel.

Nesse momento, só a natureza fala, até que Juan orienta o grupo a desembarcar. Mais uma hora de caminhada mata adentro, chega-se ao mirante. Esse é o melhor lugar a que um visitante alcança, a não ser que tenha uma casa movida a balões de gás, como o Sr. Carl. E é o suficiente. É mais que o suficiente, aliás.

Um guia segue na proa da voadeira para desviar das pedras
Um guia segue na proa da voadeira para desviar das pedras

Um banho no poço do Salto Angel e um ótimo jantar no acampamento fazem parte da programação. Já seria perfeito, mas a cachoeira, quando iluminada pela lua cheia, reaparece novamente e surpreende os visitantes, que terminam a noite em redes enfileiradas.

Durante minha passagem pelo local, o grupo foi dormir ouvindo uma forte chuva cair. Mas o dia seguinte nos reservou um presente. A chuva parou logo cedo e o Salto Angel, para alguns felizardos e por poucos minutos, apareceu acompanhado de um arco-íris. Em tão pouco tempo aquele lugar parecia se transformar e ganhar cada vez mais beleza.

O lindo Salto Angel ficou ainda mais lindo pela manhã, acompanhado de um arco-íris
O lindo Salto Angel ficou ainda mais lindo pela manhã, acompanhado de um arco-íris

Já descendo o rio Carrao, no início do caminho de volta, dei uma última olhada para trás e acompanhei o Salto Angel sumindo atrás de um dos tepuis. Com ele, fica o agradecimento por essa maravilha natural estar tão bem guardada e a esperança de que dure para sempre.

O Salto Angel some da minha vista e fica então a lembrança eterna de ter bebido dessa água!

Mochileiro bebendo água do Salto Angel
Mochileiro bebendo água do Salto Angel

Mais sobre o Salto Angel

 A cachoeira Salto Angel é considerada patrimônio mundial pela Unesco e foi uma das candidatas a maravilha natural do mundo na eleição de 2012. A cachoeira foi batizada assim após o aventureiro norte-americano Jimmy Angel descobrir o lugar – apesar dos Panamos contestarem essa versão e dizerem ter batizado essa grande maravilha de Churún Merú bem antes de qualquer aviador maluco aparecer por lá. Mas isso não importa: é a maior cachoeira do mundo, oficialmente com 979 metros, derramando seus milhares de litros d’água ininterruptamente, sem se abalar.

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Veja também:

O Mochileiro na Amazônia (com uma pitada de Salto Angel)

San Andrés, na Colômbia

O Mochileiro no Monte Roraima (Venezuela e Brasil)

Booking.com

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