A chegada na Amazônia…

A dificuldade de escolher o que visitar na Amazônia começou bem antes dessa viagem…

Desde o resultado da eleição das Maravilhas Naturais, quando decidi fazer essa volta ao mundo, eu me perguntava: “Na Amazônia, pra onde eu vou?”. O fato é que ela é a maior floresta do mundo, imensa, com mais de 8 mil quilômetros quadrados, ocupando vários países, maior que continentes… e a dúvida seguia!

Pensei em várias opções… ir à nascente do Rio Amazonas no Peru, visitar tribos, tentar me embrenhar na mata, mas depois de tudo que aconteceu por lá, tive a certeza de que tomei a decisão certa!

Teatro Amazonas
Teatro Amazonas

Embarquei rumo a Manaus, capital do Estado do Amazonas e uma das principais portas de entrada para quem quer visitar a floresta. Fui acolhido pelo amigo Marcelo, que participou do programa “Adote um Mochileiro” e cedeu o sofá para o andarilho aqui. Passeei um pouco pela cidade, fui à Praia da Lua, que é bem legal, ao Teatro Amazonas, que continua lindo e onde eu fiz uma visita guiada para relembrar sua história, mas posso dizer que a primeira grande emoção da floresta foi o encontro com os botos.

A lancha da Shalom Tour deixou o portinho de Ponta Negra às 9h da manhã. Em um dia normal, levaríamos uns 40 minutos, mas com a chuva e o rio muito movimentado, a viagem durou quase duas horas. Duas horas no pula-pula da lancha que nos levava pelo rio Negro debaixo de chuva e, conforme me confessou nosso comandante, ficamos perto de ter que voltar!

O Mochileiro no Recanto do Boto
O Mochileiro no Recanto do Boto

Já em um braço de rio está o Recanto do Boto. Um lugar especial, onde esses animais se concentram. Essa sempre foi uma área onde eles ficaram e o que antigamente era uma briga com pescadores, já que eles roubavam alguns peixes das redes e sofriam ataques dos homens do rio, mudou para uma relação de companheirismo nos dias de hoje. Pelo menos nessa parte, convivem em harmonia, uma vez que recebem um pouco de alimento (bem abaixo da dieta diária necessária para não perderem seus instintos de pesca), entretêm os turistas e são protegidos pelo Ibama. No final, sai todo mundo feliz! Eu inclusive, após nadar com esses animais pra lá de dóceis e simpáticos!

Após muitas frutas típicas e alguns café caboclos, como chamam por aqui, fui pro porto de Manaus procurar minha passagem (afinal há muitas opções de barcos e gente vendendo por lá) para embarcar a Santarém. O preço é meio que tabelado, mas vale pesquisar e tentar identificar o local mais seguro para comprar. O meu foi em uma barraquinha, com uma senhora simpática. Paguei R$ 100,00 pela passagem, que me dava direito a 30 horas de viagem e acomodação em uma rede, como é bem comum na região norte!

No dia seguinte, lá estava eu bem cedo, na famosa balsa amarela, onde as embarcações encostam pra pegar os passageiros, pronto para conseguir um bom local pra minha rede (sim, é por ordem de chegada) e me acomodar! Entreguei meu bilhete, verificaram meu nome na lista e lá fomos nós, pelo Negro… que logo se juntou com o Solimões e virou Amazonas, no incrível encontro das águas!

Na rede, brincando com as crianças!
Na rede, brincando com as crianças!

Muitas famílias viajam desta forma. Algumas, por até quatro dias! Ao meu lado estava uma delas! Eram uma mulher, sua mãe e umas sete crianças! Todas empacotadinhas nas redes, obedientes e alerta aos chamados da mãe e da avó, pro banho, pras refeições e pras broncas (é claro!), pois elas não paravam um minuto sequer!

Logo fiz amizade, com elas e com alguns mochileiros. Arthur, carioca que estava de férias, Vinicius, paraense de Santarém, que voltava pra casa após uma temporada na Argentina, e Olivier, francês que viajava pelo Brasil, encantado com o país! Muito papo sobre viagens, um pôr do sol dos mais lindos que já vi e a noite caiu…

O dia amanheceu e as paradas continuavam. Em cada uma delas, uma enxurrada de vendedores ambulantes entrava no barco pra vender comidas, ganchos de rede, roupas e diversas outras coisas. Ouvi dizer que a comida deles pode ser perigosa e causar “desarranjos”, então fiquei na alimentação do barco e em alguns alimentos que havia trazido de Manaus mesmo!

Se não me engano foram cinco paradas até Santarém. Parecia que já éramos uma família. As crianças me pediam para ajudá-las a traduzir coisas pra falar com Olivier, compartilhávamos alimentos e dávamos muitas risadas. Com certeza o espaço limitado no barco e o tempo de viagem ajudaram nessa aproximação! Eu parava para ler, cochilar, olhar a paisagem, mas volta e meia alguma criança chegava por perto!

Pôr do sol no Amazonas
Pôr do sol no Amazonas

No final da tarde, chegamos a Santarém. O pai do Vinicius estava por lá e nos deu uma carona até Alter do Chão, que seria a nossa próxima parada e está a pouco mais de 30 quilômetros do porto, mas não antes de passarmos pelo centro da cidade e provarmos um tradicional tacacá, que estava uma delícia!

Nem uma hora de carro e chegamos a Alter do Chão, um paraíso (ainda) escondido do Pará, mas que está explodindo para o turismo, porém, essa segunda parte da Amazônia vai ter que ficar pro próximo post…

Até breve!

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Veja também!

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O Mochileiro na Amazônia (TV)

Alter do Chão: a praia da Amazônia!

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14 thoughts on “A chegada na Amazônia…

  1. Pingback: A praia da Amazônia! | Mochileiro das Maravilhas

  2. Okk…E o mais fascinante da sua trajetória pela Amazônia não foi só o conhecimento natural mas também o conhecimento social..””e a minha opinião.rs..”..onde você pôde ter um convívio com pessoas de diferentes hábitos e costumes ..E de certa forma ter aprendido com elas não tendo duvida nenhuma de ter aumentado o conhecimento em seu currículo “”Vidarrr”””…..

  3. Pingback: Flona, um pouco da Amazônia do Pará | Mochileiro das Maravilhas

  4. Pingback: Encontro de Viajantes – Amazônia | Mochileiro das Maravilhas

  5. Ótimo texto.
    Estava procurando algo sobre a amazônia e seus relatos me deram coragem de ir da melhor forma, mochilando.
    A partir de hoje, acompanharei o site. Obrigado.

    1. Muito obrigado pela mensagem, Anderson! Legal que curtiu!
      Em breve vou escrever mais um post sobre outros locais da Amazônia!
      Espero que curta os vídeos também! Abraço!

  6. Daniel, tudo bem? Amo o norte do país. Conheço bem Amazonas, que amo, um pouco do Pará (Belém e Marajó) e Macapá. Este ano vou para Santarém entre o natal e o ano novo. Sempre quis ir para lá, mas tenho tido péssimas referências de lugares cheio de lixo e com música alta. Você pode por favor dar os caminhos das pedras para aqueles lugares escondidos e lindos? É um sonho antigo conhecer Santarém, mas preciso das dicas, por favor!!!! Obrigada!
    Simone

    1. Oi Simone!
      Tudo bem e com você?
      Ah, a região norte… amo!
      Então, se o seu destino é Santarém, só posso te recomendar um lugar: Alter do Chão! Sinceramente eu não sei como o local fica nos feriados de Natal e Ano Novo, mas quando eu fui, na baixa temporada, era um paraíso, assim como me relatou uma amiga que foi recentemente! Aproveito pra te recomendar 2 posts sobre a região:
      Post: http://www.mochileirodasmaravilhas.com.br/2013/07/25/a-praia-da-amazonia/
      Vídeo: http://www.mochileirodasmaravilhas.com.br/2014/04/19/o-mochileiro-amazonia-episodio-6/
      Espero que goste!
      Abraços!

  7. Fala Daniel, tudo bem?
    Aqui preparando minha primeira viagem ao norte do país. E vou te fazer algumas perguntas.
    Você foi pra Santarém e voltou pra Manaus depois nao né? Aquela trilha la da samuama gigante foi no Pará?
    Essa experiencia com o boto só tinha você e o carinha na agua? Tem algo mais incluso nesse passeio? O site da Shalom e a pagina do face do Recanto do Boto nao tem informação quase nenhuma :-/
    Obrigado !!

    1. Fala Pericles. Tudo bom e com você?
      Legal saber que tá se preparando pra seguir ao norte do país!
      Vamos às respostas…
      Exato, eu não voltei a Manaus. De Santarém peguei o avião pra casa.
      A trilha da Samaúma é dentro da Flona, Floresta Nacional do Tapajós, no Pará.
      Na experiência com os botos, só estavam eu e o guia na água.
      Ajudei? Se precisar saber mais alguma coisa, só avisar!
      Abraço e boa viagem!

  8. Pingback: 7º episódio: Amazônia! - Mochileiro das Maravilhas

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